Quando é necessária a telerradiografia dentária?

Equipa Lusocare · · 7 min de leitura

Quando é necessária a telerradiografia dentária?

Um aparelho dentário não começa apenas com a observação dos dentes. Para perceber a posição dos maxilares, a relação entre o perfil facial, os dentes e as estruturas ósseas, o médico-dentista pode solicitar uma telerradiografia dentária. Este exame oferece uma visão alargada e padronizada do crânio e da face, a fornecer dados essenciais para um diagnóstico rigoroso e para decisões de tratamento mais fundamentadas.

Frequentemente associado à ortodontia, este exame pode também contribuir para a avaliação de alterações do crescimento facial, assimetrias e alguns casos que exigem uma análise conjunta entre dentes, osso e vias aéreas. É um procedimento rápido, realizado com tecnologia digital e com protocolos de baixa dose adequados à indicação clínica.

O que é a telerradiografia dentária?

A telerradiografia é uma radiografia extraoral obtida a uma distância padronizada entre o equipamento e o paciente. Essa distância reduz a distorção da imagem e permite obter medições fiáveis. Ao contrário de uma radiografia intraoral, não é necessário colocar sensores dentro da boca.

A modalidade mais pedida é a telerradiografia dentária de perfil, também designada telerradiografia lateral. Esta imagem mostra, de lado, o crânio, os maxilares, os dentes, o perfil dos tecidos moles e a coluna cervical superior. Em determinadas situações, pode ser solicitada uma telerradiografia frontal, útil para analisar assimetrias e relações entre o lado direito e o lado esquerdo da face.

A imagem não substitui a consulta nem define, por si só, um tratamento. O seu valor está na leitura integrada pelo médico-dentista, em conjunto com a observação clínica, fotografias, modelos digitais e outros exames que possam ser necessários.

Porque é tão utilizada no planeamento ortodôntico?

Os dentes podem parecer alinhados e, ainda assim, existir uma discrepância entre os maxilares ou uma inclinação dentária que deve ser considerada antes de iniciar o tratamento. A telerradiografia ajuda a distinguir estas situações. Com base na imagem, o médico-dentista ou ortodontista realiza uma análise cefalométrica: identifica pontos anatómicos e mede ângulos e distâncias que descrevem as relações craniofaciais.

Esta análise pode ajudar a responder a questões clínicas concretas. Existe falta de espaço apenas nos dentes ou há uma diferença na posição dos maxilares? Uma mordida aberta está relacionada com o padrão de crescimento facial? A correção deve privilegiar movimentação dentária, orientação do crescimento ou, em casos selecionados, avaliação complementar para cirurgia ortognática?

Em crianças e adolescentes, a telerradiografia de perfil pode ser particularmente útil porque o crescimento ainda influencia o plano terapêutico. No entanto, a sua prescrição não depende apenas da idade. Em adultos, continua a ser um recurso relevante para tratamentos ortodônticos, reabilitações complexas e estudo da relação entre dentes e perfil facial.

Em que situações pode ser pedida?

A indicação deve ser sempre clínica. Não é um exame de rotina para todas as pessoas, nem deve ser realizado sem uma pergunta diagnóstica clara. É mais frequente nos seguintes contextos:

  • estudo inicial e acompanhamento de tratamentos ortodônticos;
  • avaliação de mordida cruzada, mordida aberta, sobremordida ou desvio da linha média;
  • análise de discrepâncias entre maxila e mandíbula;
  • planeamento de casos com impacto no perfil facial;
  • avaliação prévia em situações que podem requerer abordagem ortodôntico-cirúrgica;
  • comparação de alterações do crescimento ao longo do tempo, quando clinicamente indicada.

Em alguns casos, o profissional pode solicitar também radiografia panorâmica digital ou CBCT 3D. São exames diferentes, com informações diferentes. A panorâmica dá uma visão geral dos dentes, maxilares e estruturas adjacentes; a TAC dentária permite uma leitura tridimensional detalhada em indicações específicas. A telerradiografia, por sua vez, é especialmente orientada para a análise das relações faciais e esqueléticas em duas dimensões.

Como decorre o exame?

A realização é simples e não invasiva. À chegada, a equipa confirma a prescrição e orienta o paciente quanto ao posicionamento. É necessário remover objetos metálicos na zona da cabeça e pescoço, como brincos, ganchos de cabelo, piercings removíveis ou fios de colares, pois podem criar sobreposições na imagem.

Durante a aquisição, o paciente permanece de pé, com a cabeça posicionada num suporte próprio. No caso da telerradiografia de perfil, é essencial manter uma postura estável, os dentes em contacto natural e os lábios relaxados, salvo indicação diferente do profissional. A exposição demora apenas alguns segundos.

O principal desafio não é sentir desconforto, mas evitar movimentos. Por isso, a colaboração do paciente faz diferença na nitidez final. Em crianças, uma explicação simples antes do exame costuma ser suficiente para que o processo decorra com tranquilidade.

Radiação: o que deve saber

Como qualquer exame de raios X, a telerradiografia dentária envolve radiação ionizante. A sua utilização deve obedecer ao princípio de justificação: realiza-se quando o benefício diagnóstico esperado é superior ao risco associado. Por esse motivo, o pedido do médico-dentista é determinante.

Nos sistemas digitais atuais, é possível trabalhar com protocolos de baixa dose e obter imagens de elevada qualidade diagnóstica. Ainda assim, baixa dose não significa dose nula. Deve informar a equipa se existe possibilidade de gravidez, se realizou exames radiológicos recentes ou se tem alguma condição relevante para o procedimento.

Não é aconselhável repetir uma telerradiografia apenas para obter uma imagem mais recente, sem orientação clínica. Quando existe um exame anterior útil e tecnicamente adequado, o médico-dentista pode avaliar se é suficiente para o planeamento em curso.

Da imagem ao plano de tratamento

Uma boa telerradiografia deve ter nitidez, posicionamento correto e enquadramento adequado das estruturas necessárias à análise. Estes aspetos influenciam a fiabilidade das medições cefalométricas e, consequentemente, a interpretação clínica.

A entrega digital facilita o fluxo de trabalho entre o centro de imagiologia e a clínica dentária. Os ficheiros podem ser disponibilizados de forma imediata e, quando aplicável, em formato DICOM compatível com software de planeamento clínico. Para o profissional que encaminha, isto reduz atrasos e permite integrar o exame no processo de diagnóstico sem depender de película radiográfica ou de digitalizações com perda de qualidade.

Na Lusocare, a realização de exames de imagiologia dentária é organizada para apoiar este percurso: marcação ágil, orientação clara antes do exame e entrega digital para que o médico-dentista possa avançar com o planeamento. A disponibilidade da telerradiografia deve ser confirmada no momento da marcação, de acordo com a unidade e a prescrição apresentada.

Como preparar a sua marcação

Leve consigo a prescrição do médico-dentista, caso tenha sido emitida, e informe a equipa sobre qualquer dúvida relativa ao exame. Não é necessário jejum nem preparação especial. Chegar alguns minutos antes ajuda a confirmar os dados e a receber as instruções sem pressa.

Se usa próteses removíveis, aparelhos auditivos ou outros acessórios na zona da cabeça e pescoço, a equipa indicará o que deve retirar antes da aquisição. Quem utiliza aparelho ortodôntico fixo pode, em regra, realizar o exame normalmente, embora os componentes metálicos sejam considerados na interpretação da imagem.

Uma telerradiografia bem executada é mais do que uma radiografia de perfil: é uma base objetiva para compreender relações que não são visíveis numa observação simples. Quando o exame é pedido no momento certo e integrado num planeamento digital cuidadoso, ajuda o paciente e o médico-dentista a avançar com mais clareza, precisão e confiança.

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