Um pedido de imagiologia bem preenchido pode evitar uma repetição do exame, reduzir atrasos no tratamento e dar ao médico dentista exactamente a informação de que necessita. Este guia de encaminhamento de exames de imagiologia explica o que deve constar da requisição, como escolher o exame adequado e o que o paciente pode esperar desde a marcação até à entrega das imagens.
Porque o encaminhamento influencia o diagnóstico
Na imagiologia dentária, pedir “um TAC” ou “uma panorâmica” sem contexto clínico pode não ser suficiente. O mesmo sintoma pode exigir campos de visão, projecções ou níveis de detalhe diferentes. Uma dor localizada junto a um dente endodonciado não coloca as mesmas questões que o planeamento de um implante, a inclusão de um canino ou a avaliação da articulação temporomandibular.
A informação enviada pelo médico dentista orienta a selecção do protocolo e permite adequar a exposição à área efectivamente necessária. Este princípio é particularmente relevante em exames CBCT 3D, também conhecidos como TAC dentária: o objectivo é obter a informação diagnóstica necessária com um campo de visão ajustado e um protocolo de baixa dose sempre que clinicamente indicado.
Para o paciente, um encaminhamento claro traduz-se numa experiência mais simples. A equipa consegue confirmar o exame, preparar a marcação e entregar imagens compatíveis com o planeamento clínico, sem dúvidas sobre a região a avaliar ou a finalidade do estudo.
Guia de encaminhamento para exames de imagiologia
Um pedido clínico eficaz deve identificar o paciente e indicar, de forma legível, o exame pretendido. Mais do que isso, deve explicar a questão clínica. Não é necessário escrever um relatório extenso, mas uma indicação precisa faz diferença na qualidade do apoio prestado ao diagnóstico e ao tratamento.
Dados essenciais na requisição
A requisição deve incluir o nome completo e a data de nascimento do paciente, bem como a identificação e o contacto do médico dentista ou da clínica responsável. É igualmente útil indicar se existe uma data prevista para cirurgia, colocação de implante, início de ortodontia ou outra fase de tratamento que dependa do exame.
A zona anatómica deve ser especificada sempre que possível. Em vez de indicar apenas “maxila” ou “mandíbula”, pode ser relevante assinalar o quadrante, os dentes envolvidos ou a área edêntula. Em situações de implante, por exemplo, a indicação da posição pretendida ajuda a centrar o estudo na região de interesse.
A justificação clínica é o elemento que dá sentido ao pedido. Formulações simples como “planeamento de implante na região 36”, “avaliação de canino 13 incluso”, “suspeita de reabsorção radicular” ou “dor e estalido na ATM direita” são claras e úteis. Quando existe uma dúvida concreta, deve ser indicada: proximidade ao canal mandibular, avaliação de seio maxilar, lesão periapical persistente, posição de dente incluso ou assimetria condilar, por exemplo.
Também convém assinalar informação que possa alterar a interpretação ou o planeamento, como cirurgias prévias, implantes existentes, trauma, tratamentos endodônticos complexos ou próteses metálicas. Estes dados não impedem a realização do exame, mas ajudam a antecipar artefactos e a enquadrar melhor a imagem.
Escolher o exame de acordo com a necessidade clínica
O melhor exame não é necessariamente o mais abrangente. É o que responde à pergunta clínica com nitidez e proporcionalidade. A escolha deve ser feita pelo médico dentista, tendo em conta a situação do paciente e a informação necessária para decidir o tratamento.
RX panorâmico digital
A radiografia panorâmica digital oferece uma visão global das arcadas dentárias, estruturas ósseas, dentes inclusos e áreas anatómicas relevantes. É frequentemente indicada numa avaliação inicial, no acompanhamento de dentição, em estudos ortodônticos ou quando é necessário observar a relação entre várias estruturas numa única imagem.
Pode ser um bom ponto de partida, mas tem limites próprios. Por ser uma imagem bidimensional, não substitui um CBCT 3D quando é necessário medir espessura óssea, observar a posição vestibulo-lingual de um dente ou avaliar relações anatómicas com maior precisão.
CBCT 3D ou TAC dentária
O CBCT produz cortes tridimensionais da região estudada. É especialmente indicado para planeamento de implantes, cirurgia oral, dentes inclusos, endodontia complexa, reabsorções, avaliação de lesões e estudo de relações entre raízes, canal mandibular, seios maxilares ou estruturas adjacentes.
O pedido deve indicar a finalidade do CBCT. Para planeamento implantar, é útil referir a zona ou as posições dentárias. Para cirurgia de terceiro molar, deve identificar o lado e a preocupação clínica, como a relação com o canal mandibular. Para endodontia, deve indicar o dente e a suspeita, evitando pedir um volume maior do que o necessário.
Nem todas as situações exigem uma TAC dentária. Quando uma radiografia intraoral ou panorâmica responde à questão, o exame tridimensional pode não trazer benefício adicional proporcional. Esta avaliação faz parte de uma prática clínica responsável.
Telerradiografia de perfil
A telerradiografia de perfil é habitualmente integrada no estudo ortodôntico e na análise cefalométrica. Permite avaliar relações esqueléticas, dentárias e dos tecidos moles, apoiando o diagnóstico e o planeamento do tratamento ortodôntico.
No encaminhamento, basta normalmente identificar que se trata de um estudo ortodôntico e indicar o profissional responsável. Se houver requisitos específicos de análise ou compatibilidade com determinado método de planeamento, essa informação deve acompanhar o pedido.
RX ATM
A radiografia da articulação temporomandibular pode integrar a avaliação de alterações ósseas e da posição condilar, consoante a indicação clínica. Em doentes com dor, limitação de abertura, ruídos articulares ou alterações funcionais, o médico dentista deve indicar os sintomas, o lado predominante e a duração aproximada do quadro.
É essencial ajustar expectativas: a imagiologia não substitui a avaliação clínica da ATM. Alguns problemas articulares exigem uma abordagem complementar, e a escolha do exame depende da estrutura que se pretende observar e da questão diagnóstica colocada.
O percurso do paciente após o encaminhamento
O paciente deve levar a requisição num formato físico ou digital, sempre que disponível. Antes do exame, a equipa confirma a identidade, o tipo de exame e a região a estudar. Este momento é também adequado para esclarecer dúvidas e confirmar informação relevante, incluindo a possibilidade de gravidez ou suspeita de gravidez.
Em muitos exames é pedido ao paciente que retire brincos, piercings, próteses removíveis, ganchos de cabelo, óculos ou outros objectos metálicos da região da cabeça e pescoço. Estes elementos podem criar artefactos e reduzir a leitura de determinadas áreas. O paciente deve seguir as indicações dadas no local, sobretudo quanto à posição da cabeça e à necessidade de permanecer imóvel durante alguns segundos.
Os exames de imagiologia dentária são, em regra, rápidos e não invasivos. O conforto e o correcto posicionamento são importantes para evitar imagens desfocadas ou a necessidade de repetição. Se o paciente tiver dificuldade em permanecer imóvel, ansiedade ou limitação de abertura da boca, deve comunicar essa situação antes de iniciar o procedimento.
Entrega de imagens e integração no planeamento digital
A entrega não deve ser vista apenas como o fim do exame. Para o médico dentista, é o início da fase de leitura, diagnóstico e planeamento. Imagens de elevada qualidade, associadas ao ficheiro DICOM quando aplicável, permitem trabalhar num software clínico compatível, efectuar medições e integrar o estudo no planeamento implantar, cirúrgico ou ortodôntico.
Na Lusocare, a organização do processo procura apoiar tanto o paciente como o profissional que encaminha: marcação célere, protocolos digitais de baixa dose ajustados ao exame e disponibilização imediata das imagens para continuidade clínica. Antes de marcar, confirme quais os exames disponíveis na unidade mais conveniente entre Montijo e Alcochete, uma vez que a oferta pode variar consoante a localização.
O médico dentista deve também indicar como pretende receber a informação disponível e garantir que o paciente compreende que as imagens devem chegar ao profissional responsável pelo tratamento. A interpretação clínica e as decisões terapêuticas pertencem ao médico dentista que conhece a história, o exame objectivo e os objectivos do caso.
Dúvidas frequentes sobre o encaminhamento
É obrigatório levar requisição?
Para exames solicitados no contexto de diagnóstico ou planeamento dentário, a requisição do médico dentista é o elemento que enquadra a necessidade clínica. Além de orientar o exame, assegura uma comunicação correcta entre quem pede, quem realiza e quem utiliza as imagens no tratamento.
O paciente precisa de preparação especial?
Regra geral, não é necessário jejum nem preparação complexa. Deve trazer a requisição, chegar com alguma antecedência e estar disponível para remover objectos metálicos. A equipa dará instruções específicas se o exame ou a situação clínica o justificar.
As imagens podem ser utilizadas pelo médico dentista noutro software?
Quando o exame inclui ficheiros DICOM, estes podem ser utilizados num software clínico compatível para planeamento e análise. Confirme no encaminhamento se existe algum requisito técnico particular do fluxo de trabalho da clínica.
Um encaminhamento preciso não torna apenas o processo mais eficiente. Dá ao paciente a confiança de que cada imagem foi pedida com uma finalidade concreta e de que o próximo passo do tratamento assenta num diagnóstico rigoroso.